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NOTA DO ICOMOS/BRASIL SOBRE A DESTRUIÇÃO DO MUSEU NACIONAL


O Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Históricos – ICOMOS/BRASIL – lamenta profundamente a catástrofe que se abateu sobre o Museu Nacional, uma das principais instituições dos cenários científico e cultural de nosso país, destacando que ela é o fruto do descaso a que vem sendo submetidas a cultura e a memória nacionais.

O Museu Nacional, situado na Cidade do Rio de Janeiro, é um paradigma do patrimônio cultural da nação. Portador de uma coleção com mais de 20 milhões de itens, que espelha a diversidade de diversos campos do saber da humanidade, tem uma representatividade que transcende as fronteiras do nosso país, sendo uma das principais no gênero no mundo. Sua importância transcende também o nível institucional: o Museu Nacional constitui, sem dúvida, uma referência afetiva da população da Cidade do Rio de Janeiro e dos visitantes de diversas partes do país e do mundo que lá estiveram em seus 200 anos de existência.

O incêndio que ocorreu ontem, em 02 de setembro de 2018, destruindo praticamente todo o museu, pode ser vista como uma tragédia anunciada, que vinha se desenhando especialmente a partir dos últimos encaminhamentos da política nacional. Como sabemos, a ação do governo federal desde 2016 tem sido marcada por cortes significativos no investimento em todos os setores da administração pública do país. Neste cenário, infelizmente, a produção cultural e a conservação do patrimônio cultural terminam sendo os mais afetados.

Nós, do ICOMOS/BRASIL, juntamente com toda a sociedade brasileira, pedimos a revisão imediata dessa política de restrição orçamentária, que asfixia o país e que acabou de destruir um ícone da nação. Temos a convicção de que se essa política for mantida, ela aniquilará outras instituições do mesmo porte e importância, comprometendo gravemente a memória e identidade de todo povo brasileiro de ontem, hoje e amanhã.

O ICOMOS/BRASIL coloca-se ao lado de toda a população da Cidade do Rio de Janeiro, da comunidade acadêmica e científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dos servidores do museu e dos órgãos de tutela deste inestimável patrimônio cultural neste momento de dor, mas, especialmente, de reflexão. Estamos à disposição para auxiliar na recuperação obrigatória e imediata desta referência de diversas gerações, bem como para lutar para pôr fim à política de destruição que tem infelicitado nosso país.


CONSELHO DELIBERATIVO DO ICOMOS/BRASIL 03 de setembro de 2018